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No projeto desenvolvido pela Abravest (Associação Brasileira de Vestuário) e
ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), o tamanho das roupas não será
mais informado pela idade e sim por medidas corporais.
A falta de padrão de vestuário no Brasil gera diversos problemas para os
consumidores. É comum encontrarmos roupas com a mesma numeração e tamanhos
diferentes e na área de vestuário infantil, onde a classificação das roupas é
ditada pela idade, as variações são ainda maiores porque o desenvolvimento nesta
fase depende de cada indivíduo.
Para proporcionar mais segurança no ato da compra e facilitar a decisão do
consumidor, a Abravest (Associação Brasileiro de Vestuário) e ABNT (Associação
Brasileira de Normas Técnicas) desenvolveram um projeto de padronização de
roupas para o público de zero a 16 anos não mais baseado pela idade, mas sim por
medidas corporais. “A adesão dos fabricantes garante a produção de peças com o
mesmo tamanho de acordo com a numeração”, esclarece o Presidente da Associação,
Roberto Chadad.
O projeto será apresentando e discutido entre indústria e lojistas durante o
Fórum Vestibilidade Bebê Infanto-Juvenil que acontece entre os dias 16 e 18 de
junho em São Paulo, paralelamente a uma das maiores feiras de negócios do setor,
a FIT 0/16. “A idéia é reunir todo o mercado para mostrar as novas regras e
buscar sugestões dos formadores de opinião do segmento. Assim, formataremos
novas normas de acordo com as reais necessidades do nosso setor, que devem ser
incorporadas voluntariamente pelos fabricantes associados da Abravest a partir
do segundo semestre de 2009”, explica Chadad. "As medidas e os moldes estão
sendo desenvolvidos pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e serão
fornecidos gratuitamente aos associados, juntamente com o modelo de um selo, que
deve ser usado nas embalagens destinadas ao público final. Além do selo, a
Abravest deve fornecer uma cartilha com texto explicativo e tabela de medidas",
completa.
A padronização traz maior praticidade para o consumidor, que não perderá tanto
tempo experimentando roupas na loja. Com a segurança de que obterá uma peça do
tamanho que deseja, tende também a aumentar a aquisição de produtos pela
internet (e-commerce) ou por catálogos. “Isso amplia todo o mercado têxtil
brasileiro e dá oportunidade de desenvolvimento de novos negócios”, lembra Maria
Adelina Pereira, engenheira têxtil e gestora do CB-17 (Comitê Brasileiro de
Têxteis e do Vestuário), responsável pela criação das novas normas.
No caso da compra de presentes, a troca certamente diminuirá. “Com a situação
que temos hoje, penso em colocar no convite de aniversário do meu neto que,
apesar de estar comemorando apenas dois anos, ele usa roupas tamanho quatro
anos”, brinca Roberto Yokomizo, Coordenador do Departamento de Vestuário
Infantil da Abravest.
Além de todos estes benefícios para o consumidor, o Presidente da Abravest
acredita que não se trata apenas de uma questão de medidas. “É importante pensar
neste projeto como uma arma eficaz contra os produtos piratas e de má qualidade,
que hoje prejudicam o mercado brasileiro", conclui Roberto Chadad.
Abravest: há 16 anos em busca da padronização - A Associação Brasileira de
Vestuário iniciou uma campanha 1992 para definir e aplicar um padrão de medidas
do setor têxtil nacional, visando melhorar a qualidade dos produtos brasileiros,
aumentar as possibilidades de exportação, diminuir o custo de produção com o
melhor aproveitamento dos tecidos e facilitar a organização de estoque e
show-room pelos lojistas, além dos benefícios para o consumidor.
Em 2008, este trabalho ganhou força com a aprovação da norma técnica para o
setor de meias, a NBR 15.525, que está sendo incorporada voluntariamente pelas
indústrias associadas deste janeiro de 2009. Os próximos passos são a
padronização do setor infantil – já em andamento – masculino e feminino, cujas
normas técnicas foram aprovadas no mesmo ano. Em setembro será a vez do
masculino e novembro o feminino. Criada em 1982, a Abravest está situada em São
Paulo, reúne empresas de todo o Brasil e congrega cerca de 63 Sindicatos
Patronais Regionais do setor.